Friday, July 20, 2012

Comentário: Oxitocina e Evolução


Comentário: Oxitocina e Evolução
por Nelson Abreu

Um pesquisador recentemente compartilhou uma fascinante “TED talk” sobre a oxitocina e sua relação com a confiança e a moral.
Nesse “TED talk” o pesquisador conclui que apenas os mamíferos libertam oxitocina. O pesquisador questionou se, em um planeta onde lagartos evoluíram para o nível evolutivo dos seres humanos, as relações e ligações emocionais - e, portanto, a forma como a cosmoética é expressa - seria diferente só por causa dessa diferença biológica.

Em primeiro lugar, agradeço pela pergunta tão “clara”. Na minha opinião, as relações e ligações emocionais podem ser expressas extrafisicamente na ausência de um soma e ainda mais sem a oxitocina. É interessante que esta se relaciona, fisicamente, com essas capacidades emocionais e que se expressam mais em mamíferos. Este fato aponta para a ideia de que a evolução da consciência, pelo menos em nosso planeta e em termos de evolução emocional, seja mais expressa em mamíferos, sendo a oxitocina mais o resultado do que a causa? Isto parece estar mais em consonância com a ideia da consciência dirigir a evolução biológica e não o inverso.

Relacionado com este conceito, eu recomendo a obra de Alfred Russell Wallace, co-descobridor da evolução biológica de Darwin, mas marginalizado pela história, devido aos seus pontos de vista que questionavam o paradigma newtoniano-cartesiano que tentava reduzir o espírito ou afastar o “self” do cenário. Wallace, que desenvolveu um interesse ativo em relação aos fenômenos e faculdades psíquicas, pensou que a seleção natural não poderia ser responsável por outras faculdades como a genialidade matemática, artística e musical, sagacidade, humor e "reflexões metafísicas." Ele também acreditava que a razão de ser do universo seria o desenvolvimento do espírito humano (Wallace 1889).

“O fenômeno do homem” por Pierre Teilhard de Chardin, o padre Jesuíta e paleontólogo, co-descobridor do Homem de Pequim, oferece uma perspectiva visionária sobre o assunto, traçando uma progressão da geogenesis, a biogênese, à psicogênese, em direção à noosgenesis (consciência global) e previu uma Terra unificada e autoconsciente (Gaia, a Internet). O JofC n.º 3, também apresentou um artigo interessante sobre este assunto por Mark Siffer (Consciência e o Princípio Antrópico).
Como podemos ver, não é uma ideia totalmente original, mas eu chamei a isso, em trabalhos anteriores, a “conscientiomotor evolution”. “Conscientiomotor evolution” propõe que a evolução biológica é conduzida ou é um reflexo da evolução da consciência não-física. À medida que a consciência se torna mais avançada, ela estimula a criação de um corpo físico mais adequado às suas capacidades cinéticas, emocionais e mentais. A polarização de processos aleatórios, explorando o princípio da incerteza da mecânica quântica, poderia ser a interface da consciência (através da bioenergia ou chi) com eventos físicos (genes e neurônios).

O traço comum desses conceitos é que enquanto os genes, os neurotransmissores, as informações físicas e os sistemas de controlo afetam o nosso comportamento físico, nossa cosmoética, sentimentos e todas as faculdades que nos torna uma consciência estão em constante evolução, mas não são causados ​​por esses elementos físicos, que são apenas uma representação grosseira de um padrão mais profundo que permeia o universo - físico e multidimensional: a própria consciência e seu eterno impulso para uma maior complexidade e interconexão.

Nelson Abreu, B.S. Engenharia Elétrica, é voluntário da International Academy of Consciousness, no Centro Educacional da Flórida, EUA e autor de “Filtros e Reflexões: Perspectivas sobre a realidade” (ICRL Press 2009).

Traduzido por Paula Souza (Voluntária IAC – Lisboa)

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