Monday, July 2, 2012

Resenha do filme: “A Origem” (Inception)


por Kim McCaul

“A Origem”, filme que foi sucesso de bilheteira, combina cenas de ação altamente inovadoras e “de tirar o fôlego”, com uma complexa trama psicológica. O filme centra-se numa equipa de “mercenários oníricos”, iniciadores, que se especializam em entrar no subconsciente das pessoas, através do "sonho comum", com a finalidade de roubar informações valiosas - uma forma avançada de espionagem industrial. Este roubo mental é chamado de "extração". Portanto, foi-lhes dado a tarefa mais impossível que se pode pensar. Ao invés de extraírem informações da mente de uma pessoa, eles “plantam” uma ideia em sua mente de modo a levá-la a tomar uma decisão específica de negócio. Esta forma de manipulação mental é o que é chamado de “A Origem” (Inception).

O filme não procura salientar um aspecto psicológico ou espiritual em particular, mas toca em muitas questões relevantes, relacionadas tanto à psicologia quanto à espiritualidade. Por um lado, a abordagem do filme é puramente materialista. Os sonhos são criações do subconsciente das pessoas e as muitas pessoas que habitam os locais visitados em sonhos são apenas "projeções" da mente dos sonhadores. Em outras palavras, eles não são reais, consciências independentes. Isso é bom porque estas consciências são abatidas em larga escala. À medida que os “iniciadores tentam violar o seu alvo subconsciente, estas 'projeções' funcionam como uma forma de autodefesa mental. Assim que eles sentem a presença intrusiva dos iniciadores eles procuram defender o seu espaço mental pelos meios mais mundanos, através de armas, pistolas e punhais. Quando o filme acontece na arena metafísica, é quando os sonhadores questionam sobre a verdadeira natureza do mundo real. Será o estado de vigília real ou é o estado de sonho com todo o seu potencial criativo?

O filme realmente não explora ou explica a forma técnica na qual é possível para as pessoas compartilharem os sonhos umas das outras. De uma perspectiva conscienciológica um "sonho partilhado" nunca é um sonho, mas uma projeção partilhada por duas ou mais consciências. Projeção aqui, é claro, não tem o significado psicológico que tem no filme “A Origem”, mas refere-se à consciência projetada para fora do corpo físico, em outro corpo mais sutil (também conhecida como projeção astral ou experiência fora-do-corpo). Os sonhos são eventos inter-neurais e enquanto nós somos capazes de monitorar a atividade cerebral através de tomografias, não podemos compartilhá-los da mesma forma que partilhamos uma caminhada com uma pessoa. Projeções da consciência podem ser compartilhados apenas dessa forma. São eventos extracorpóreos que nos levam a dimensões não-físicas, povoadas por seres reais e não físicos. Curiosamente, há inúmeros paralelos entre as experiências dos sonhos dos personagens do filme “A Origem” e as experiências extrafísicas da consciência.

Assim como as pessoas que representam, no filme, “projeções” subconscientes, as pessoas, quando em dimensões extrafísicas, podem sentir que estão tendo uma experiência fora do corpo e tornar-se curioso em relação a ela. E assim como os sonhadores do filme tem a capacidade de criar o mundo de sonhos e, às vezes, involuntariamente introduzir questões psicológicas não resolvidas, quando estamos projetados fora do corpo os nossos pensamentos podem se transformar em criações tangíveis (morfopensenes, também conhecido como "formas-pensamento") e nossos condicionamentos, crenças e fantasias podem influenciar a nossa experiência e distorcer nossa perceção da realidade extrafísica na qual nós estamos nos manifestando. Assim como alguns dos sonhadores em “A Origem” não percebem que estão sonhando, a maioria das pessoas, na maioria das vezes, não percebem quando estão projetados.

Uma premissa fundamental do filme é que a introdução de uma ideia na mente de alguém é um empreendimento extremamente difícil. No entanto, em nossa realidade cotidiana isso realmente acontece, com mais frequência do que imaginamos. De uma perspectiva puramente física e psicológica existe uma extensa literatura sobre publicidade, propaganda e lavagem cerebral. Muitas das ideias que identificamos como nossas podem, na verdade, terem sido “plantadas na nossa mente” por outras pessoas: nossos pais, nosso grupo de amigos, a nossa cultura. A partir de uma perspectiva multidimensional isto vai ainda mais longe. É possível e é de fato comum, para seres não-físicos (consciências extrafísicas), dar-nos ideias que parecem, a nós, serem nossas. Isso pode acontecer enquanto estamos projetados à noite e podemos acordar com novas ideias sem perceber de onde vêm (deve ser por isto que as pessoas, muitas vezes, gostam de “dormir sobre as coisas”). Também pode acontecer enquanto estamos acordados. A maioria de nós não está consciente das consciências não-físicas que nos cercam em todos os momentos e "sussurram algo em nosso ouvido" (telepaticamente). Tais ideias “plantadas em nossa mente” podem ser negativas e intrusivas, mas também podem ser positivas e assistenciais, como quando uma pessoa deprimida, de repente, vislumbra uma nova perspectiva mental de possibilidades e de futuro, que remove a neblina da depressão e incute uma nova esperança e otimismo. "Amparadores" (serenos, maduros, evoluídos, seres lúcidos e não-físicos) podem semear grandes sementes de inspiração e produtividade evolutiva.

Eu gostei muito do filme “A Origem”, mas o mundo real da consciência multidimensional é muito mais elaborado e complexo do que o das paisagens oníricas retratadas no filme. Ainda aguardo um cineasta que realmente o aborde com profundidade.

Kim McCaul é voluntário e professor da IAC em Adelaide, Austrália. É pesquisador da Conscienciologia desde 1997. Kim é antropólogo e trabalha na área aplicada a assuntos aborígenes australianos.
Traduzido por Paula Souza (Voluntária IAC – Lisboa)

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