Wednesday, September 5, 2012

Reurbanização Multidimensional: Evolução Global para além de 2012



Por Kim McCaul, IAC Austrália

Introdução

O filme “2012”, sucesso de bilheteiras, mostrou que existe um grande fascínio em relação à ideia de uma mudança repentina e catastrófica no mundo. Atualmente, as várias interpretações do calendário Maia fornecem um oportuno ponto focal para este fascínio (Lachman, 2009). O calendário Maia contabiliza o tempo através de vários ciclos interligados, dos quais o mais importante, o baktun, chegará ao fim em dezembro de 2012. Para alguns, isso dá origem à expectativa de que o ano de 2012 trará grandes convulsões físicas, desastres naturais, possivelmente doenças, além de morte e destruição em larga escala.

Paralelamente, há uma expectativa de que 2012 irá trazer algum tipo de transformação espiritual, possivelmente para toda a humanidade, talvez apenas para aqueles que estão "prontos" para recebê-la (Argüelles, 1987; Stray, 2009). Dependendo da escola de pensamento, essa transformação pode ser provocada por raios cósmicos, devido ao alinhamento da Terra nessa data, ou pela chegada de algum messias que vai canalizar energias transformadoras para o mundo. Finalmente, algumas teorias combinam os dois cenários. Nessas contas, algumas pessoas serão vítimas de dramáticas catástrofes enquanto outras entrarão uma época de iluminação (veja o documentário de 2012: Ciência ou Superstição).

Este artigo explica por que tanto o cenário cataclísmico quanto o de transformação não são coerentes com uma compreensão multidimensional da vida humana e da evolução da consciência. Eu uso aqui o termo multidimensional para referir-me ao fato de que não somos apenas seres físicos. Parto da premissa de que temos corpos não-físicos, de que a nossa vida continua após a morte física e que existem muitas dimensões onde as “pessoas vivem” no período entre as suas vidas físicas. Vou expandir todas estas ideias abaixo, mas é importante deixar claro o princípio de onde estou a partir. Não estou simplesmente rejeitando todas as ideias sobre o filme “2012”, indo contra ideias espirituais por causa de algum preconceito materialista. Pelo contrário, são os próprios princípios multidimensionais que aponto como referência contra uma súbita transformação deste planeta.

Muitas das ideias discutidas neste artigo são desenvolvidas no CDC – Curso de Desenvolvimento da Consciência, da IAC. A ideia de reurbanização é um tema especialmente tratado no módulo 5 deste curso.

Conscienciologia

Uma das ferramentas fundamentais que corroboram a Conscienciologia é a projeção lúcida da consciência (viagem astral, experiência fora do corpo), utilizada para explorar outras dimensões e, com isto, aprender mais sobre “o papel” da vida humana dentro do contexto do universo multidimensional (ver Projeções da Consciência de Waldo Vieira). Neste artigo quero compartilhar alguns conhecimentos que podemos adquirir com a Conscienciologia, no que diz respeito aos processos multidimensionais por trás das transformações que estão a ocorrer no planeta.

Algumas das ideias que vou apresentar podem ser bastante radicais ou incomuns e eu pediria aos leitores que não acreditassem em nada que estiver aqui escrito. Pondere, reflita e procure confirmar ou refutar, utilizando a lógica e a partir das suas próprias experiências. Alterar a abordagem à multidimensionalidade (ou espiritualidade), partindo de uma abordagem baseada na fé e na crença, para outra assente na experiência e na lógica, é um passo fundamental para que seja possível peneirar e pesar a informação que é lançada até nós a respeito do filme “2012”, como também quanto a muitos outros aspetos da vida espiritual. Muitas vezes isso pode significar vivermos com a ambiguidade, enquanto esperamos por perceções mais claras e antes de aceitarmos algo como certo. Então, não acredite em nada, experimente, tenha as suas próprias experiências!

Interpretações temerosas e esperançosas do calendário Maia

Há dois pontos básicos a refletir, tanto sobre o medo quanto sobre as interpretações esperançosas do calendário Maia. Ambos são pontos de vista essencialmente materialistas e coloca-nos numa posição passiva. Eles definem os seres humanos como vítimas de circunstâncias que irão destruí-los ou salvá-los. Pode parecer um pouco estranho descrever teorias em torno de 2012 como materialistas, mas se olharmos mais de perto, as duas principais interpretações do calendário Maia são extremamente restringidas pelo pensamento materialista.

A ideia de que 2012 vai trazer morte e destruição é normalmente apresentada sem qualquer análise do que a morte realmente significa. Vou explorar o significado de morte, com mais detalhes, à frente, mas para ser franco: se a Terra e toda a vida que nela existe fossem destruídas, seria muito trágico, porque este é um belo planeta, mas a vida e nós, como indivíduos, continuaríamos a existir, mesmo que temporariamente sem corpo físico.

Da mesma forma, a ideia de que 2012 vai trazer algum tipo de transformação evolutiva, normalmente não vem com nenhuma análise do que tal evolução realmente envolve. A evolução espiritual é algo que nos é concedida e que acontece durante a noite? Ou é algo que ocorre como resultado do esforço individual e se desenrola ao longo de muitas vidas?

E quanto àqueles que não estão atualmente utilizando um corpo humano, eles serão incluídos nesta experiência transformadora que os Maias supostamente previram? Aqui estou a me referir àqueles que, em Conscienciologia, chamamos de consciências extrafísicas. Nós, você e eu, atualmente somos consciências intrafísicas, temos um corpo humano nesta dimensão física. Quando morrermos voltaremos a ser consciências extrafísicas, o que éramos antes de nascer.

Normalmente, quando as pessoas falam sobre a humanidade e sua transformação espiritual, parecem estar a limitar-se à população intrafísica. Na verdade, a extrafísica, ou para-população do planeta excede em muito a intrafísica, na nossa avaliação, numa proporção de 9-1.

Em resumo, sobre as ideias do que está por acontecer em 2012, tanto de esperança quanto medo, falta uma análise adequada de como os eventos esperados relacionam-se tanto com a natureza multidimensional da vida quanto com a dinâmica da evolução baseada na ação, no livre-arbítrio e no esforço pessoal. Em seguida irei explorar essas duas questões.

Vida Multidimensional

Uma das ferramentas-chave de pesquisa utilizadas em Conscienciologia é a projeção da consciência (também conhecida como viagem astral e experiência fora-do-corpo). A projeção permite-nos entrar temporariamente nas dimensões extrafísicas e experimentar, a nós mesmos, como seres multidimensionais. Há uma enorme quantidade de bons livros sobre essas experiências, relatadas ao longo da história e das culturas (por exemplo Buhlmann, 1996; Crookall, 1964; Monroe, 1978; Sheils, 1978; Vieira,1997;Vieira,2002), mas permanecem desconhecidas por muitos, apenas vivenciadas conscientemente por uma pequena parcela da população mundial. A projeção da consciência é a forma mais segura de experimentarmos como será a vida após a morte.

Morte, ou mais precisamente a desativação do corpo físico, será, para todos nós, o ponto de entrada para a multidimensionalidade. Para uma melhor compressão desta experiência inevitável é necessário entendermos a nossa constituição, ou seja, a relação entre o corpo físico e os nossos outros corpos mais sutis. A imagem 1 mostra os elementos constitutivos do que chamamos de holossoma. Este termo é derivado do grego holo, onde significa "todo" ou "conjunto de” e soma que significa "corpo". O holossoma é o nosso conjunto de corpos, constituído por:
1. O soma ou corpo físico;
2. O energossoma ou corpo energético;
3. O psicossoma ou corpo emocional, também conhecido como corpo astral;
4. O mentalsoma ou corpo mental.

                                  
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Na nossa essência, somos consciência. Estes corpos, mesmo os mais sutis, são manifestações energéticas como todas as outras “coisas” do mundo. A consciência existe para além da energia e de todos os seus corpos que apenas são utilizados para que esta se manifeste. Mas por causa de sua natureza sutil ainda não temos condições de explorar e entender a consciência diretamente. Nós só podemos explorá-la indiretamente, através do estudo dos corpos que ela (ou seja, nós) usa para se manifestar temporariamente.

A consciência se manifesta através de três corpos: a soma, o psicossoma e o mentalsoma. O energossoma fornece a energia vital que dá vida ao corpo físico e estabelece a ligação sutil entre este e o psicossoma.

O corpo mais importante para a maioria de nós, agora, é o físico. Ele domina completamente as nossas perceções e restringe a nossa consciência de nós mesmos e do mundo multidimensional em torno de nós. Quando desativarmos o nosso corpo físico, ou seja, morrermos, a vida continuará e passaremos a nos manifestar com o psicossoma.

Se experimentamos uma morte saudável, como parte do processo, vamos também libertar as energias do corpo energético. Quando isso acontece, significa que realmente deixamos a última existência intrafísica e estamos prontos para voltar, de forma lúcida, à nossa origem extrafísica, sendo capazes de conversar com nossos amigos evolutivos e de nos preparar, conscientemente, para a próxima existência intrafísica.

Infelizmente, muitos seres humanos não liberam todas as suas energias da última vida intrafísica. Seu psicossoma permanece denso, com uma carga de seu energossoma mais recente devido às fortes marcas mnemónicas da vida passada. Muitas vezes, estas consciências extrafísicas permanecem fortemente ligadas à dimensão física e representam os fantasmas ou espíritos que algumas pessoas percebem. Estas consciências podem também estar agrupadas em densas dimensões extrafísicas de consciências afins.

Tais dimensões podem assumir muitas formas. Há dimensões onde todos compartilham as mesmas ideias religiosas fundamentalistas, outras onde as pessoas se prendem com a dinâmica de dominação e repressão, ou então em orgias de luxúria e violência, lugares onde as pessoas mundanas estão ainda totalmente convencidas de que são seres físicos e que precisam ir para o trabalho, comer, beber, fazer sexo e dormir, embora estes sejam atributos que devemos deixar para trás, juntamente com o corpo físico.

Há milhões de consciências extrafísicas (lembre-se da proporção de 9:1. Estimamos uma para-população de 54 mil milhões) que estão conscientes de sua situação e participam ativamente na sua evolução pessoal e daqueles ao seu redor. Mas a grande maioria está presa em hostis, nocivos, patológicos e restritos padrões de pensamento e de emoção. Tais consciências estão enredadas em inter-prisões grupocármicas com aqueles com quem partilham uma história (ao longo das várias vidas), na dinâmica do algoz-vítima, seja em larga escala, como em casos de genocídio inter-racial, quer em menor escala, nos crimes organizados, ou a escala doméstica em dinâmicas familiares repressivas e violentas. Constatamos estas situações na vida intrafísica, mas elas continuam, numa escala muito maior, nas dimensões extrafísicas.

A ideia de “dimensão” é mais bem definida como sendo um estado de espírito e não como um lugar. No entanto, ao estado de espírito está inerente uma realidade energética. Você pode estar consciente da experiência de encontrar pessoas com quem você "não se sente muito bem" ou aquelas que "tem uma boa vibração”. As pessoas que são mais sensíveis podem, inclusive, relutar em estar em lugares movimentados, pois são influenciadas pela energia de todos. Tais interações energéticas também ocorrerem através das dimensões.

As dimensões extrafísicas ao redor da Terra poderiam ser imaginadas como bolsões energéticos que flutuam ao redor do planeta. Tal como ondas de rádio, não ocupam a mesma frequência e podem estar no mesmo “espaço”, mas em diferentes “larguras de banda”. A noção de espaço físico é um tanto limitado quando se busca compreender as dimensões extrafísicas. De um ponto de vista, todas as dimensões estão presentes aqui e agora no espaço ao seu redor. Mas a partir de outra perspectiva, as dimensões extrafísicas mais densas estão mais próximas da crosta terrestre, enquanto as dimensões mais sutis estão localizadas mais acima, mais desligada da densidade da vida física.

Embora possamos não ser capazes de perceber conscientemente as dimensões extrafísicas, elas têm um impacto muito real na vida física. Atualmente, muitas pessoas estão preocupadas com o efeito das micro-ondas dos telemóveis no nosso organismo físico - e pode ser sensato ser cauteloso em relação à exposição a tais influências. Mas, de longe, a maior influência tóxica sobre a sociedade intrafísica é a energia tóxica que emana das dimensões patológicas que nos cercam. Muitas doenças físicas e mentais, as mentalidades restritas dos fundamentalistas e fanáticos de qualquer convicção, e os conflitos inter-pessoais e os abusos existentes neste mundo são direta e indiretamente influenciados pela intrusão de consciências extrafísicas patológicas.

Então, para favorecer a transformação no mundo é inevitavelmente necessário transformar o ambiente extrafísico. A apreciação da Conscienciologia, com base em observações extrafísicas e uma interpretação das mudanças demográficas desde a década de 1950, é que essa transformação está ocorrendo no planeta Terra. Vieira criou a expressão Reurbanização Extrafísica para descrever esta transformação (Vieira, 2003).

Reurbanização extrafísica

Convencionalmente, reurbanização refere-se à reabilitação ou reintegração de uma área de terreno que leva a uma melhoria da sua utilização a nível social ou cultural. Por exemplo, a transformação de uma antiga indústria em espaços de habitação e lazer. As docas em Londres e Melbourne são dois casos muito similares em extremos opostos do mundo.

Reurbanização extrafísica refere-se ao processo de reabilitação de um “espaço” extrafísico ou dimensão. Como explicado acima, uma dimensão extrafísica é, na verdade, um conjunto de pessoas que pensam de forma semelhante. De facto, a dimensão intrafísica é única na medida em que permite a convivência de consciências com níveis evolutivos significativamente diferentes: um Adolf Hitler e um Mahatma Gandhi. É por isso que esta dimensão oferece tamanha oportunidade de aprendizado. Ela permite-nos experimentar o contraste entre consciências, de uma forma que não é possível extrafisicamente.

As dimensões extrafísicas são caracterizadas pelo facto de que todos os ocupantes estão vibrando mais ou menos na mesma frequência. Esta frequência é determinada pelo pensene de cada indivíduo. Um pensene é uma unidade de pensamento-sentimento- energia emitida por uma pessoa. É um termo técnico, construído com os seguintes elementos: pen - pensamento; sen – sentimento; e - de energia. O termo foi criado para refletir o fato de que nós nunca pensamos sem que haja alguma emoção relacionada, nunca experimentamos uma emoção sem algum pensamento e não pensamos ou nos emocionamos sem, com isto, emitirmos energia. É óbvio que todas as pessoas têm uma infinidade de pensenes ao longo do dia. Alguns podem se relacionar com ideias intelectuais, com uma maior ênfase no “pen”, outros se relacionam com os nossos medos ou preocupações e, por isto, ter uma maior ênfase no “sen”. Os pensenes conjuntos, de todas as pessoas, são caracterizados pelo condicionamento, pelos valores, como também pelos julgamentos individuais. Por exemplo, todas as pessoas pensam em sexo de vez em quando, sendo que, para alguns, esta é uma ideia agradável mas, para outros, esta ideia está acompanhada por um sentimento de culpa. A acumulação de nossos pensenes habituais, ao longo do tempo, define o nosso holopensene (holo - todo, conjunto de; + pensenes).

Cada pessoa tem o seu holopensene pessoal que é o resultado energético do padrão característico relativo aos seus próprios pensamentos e sentimentos. Na nossa experiência diária, ao estarmos na presença de uma qualquer pessoa, seja esta presença agradável ou desagradável, o que sentimos não é uma vaga vibração, mas sim, o seu holopensene: uma realidade energética criada por ela mesma. Uma dimensão extrafísica é ocupada por consciências que compartilham holopensenes compatíveis e que se atraem mutuamente. Uma observação feita por projetores conscientes é que muitas das dimensões extrafísicas mais densas são muito antigas. Em outras palavras, elas são ocupados por consciências que não têm uma vida intrafísica há muito tempo. Após a sua morte mais recente, centenas ou mesmo milhares de anos atrás, essas pessoas não continuaram a sua jornada evolutiva. Elas simplesmente continuaram a "viver", extrafisicamente, como sabiam, estagnadas em padrões repetitivos de pensamento, emoção e ação.

Enquanto a reurbanização intrafísica envolve a demolição e a construção de estruturas físicas, em reurbanização extrafísica as estruturas “demolidas” são os holopensenes criados por consciências extrafísicas. O primeiro passo para quebrar essas estruturas pensênicas, criadas ao longo de séculos, é remover as consciências. Dessa forma, elas não poderão mais manter a dimensão patológica por meio de seus pensenes. Posteriormente, a "área" já poderá ser limpa energeticamente.

Os resultados deste processo são dois: Primeiro, a eliminação da influência energética da dimensão extrafísica sobre a intrafísica. Isso, mais cedo ou mais tarde, refletir-se-á na dimensão intrafísica através de iniciativas e ações positivas, humanistas e universalistas, resultando na redução da criminalidade, na melhoria da coesão social, na cura de cicatrizes profundas entre diferentes grupos raciais ou nações e assim por diante.

Por outro lado, as consciências extrafísicas doentes precisam ser levadas para outro local, uma vez que são removidas da sua morada extrafísica e onde estiveram por um longo tempo. O lugar mais imediato para onde estas consciências vão é a dimensão intrafísica, através de um re-nascimento forçado. A consequência disso é a chegada, para junto de nós, de um grande número de consciências reurbanizadas, com todo o seu fanatismo, loucura, egocentrismo e restrições mentais.

Consciências que fazem parte de movimentos fundamentalistas de todas as convicções como os Talibã, o Exército de Resistência do Senhor, os neonazistas, além de indivíduos que manifestam comportamentos altamente aberrantes, destrutivos e cruéis, estão a chegar a esta dimensão, tendo sido realojados, à força, de suas moradas extrafísicas.

À primeira vista pode parecer estranho introduzir, nesta dimensão física, uma imensidão de pessoas portadoras de profundas patologias, de modo a tentar melhorar a atmosfera energética da Terra. Mas o extrafísico precede o intrafísica, ou seja, para a mudança acontecer aqui deve acontecer, em primeiro lugar, "no outro lado”. Uma nova população de consciências mais evoluídas só poderá se estabelecer entre nós quando as dimensões extrafísicas ao redor da Terra estiverem “limpas”: um processo que irá alterar fundamentalmente o ambiente energético do planeta e permitir a chegada de uma nova era de auto-consciência.

Algumas pessoas referem-se à vida física e a este planeta como uma escola, mas atualmente assemelha-se mais a um hospital do que a uma escola. O processo de reurbanização vai alterar a proporção de pessoas doentes/saudáveis e transferir aqueles com maiores patologias para outros planetas, onde possam continuar o seu percurso, para que aqueles “menos doentes” possam tirar maior partido do ambiente de aprendizagem na Terra.

Como é evidente, o processo evolutivo, tal como o entendemos através Conscienciologia, não vai chegar ao seu final em 2012. Na verdade, pela nossa estimativa e devido à reurbanização, a quantidade de consciências doentes que chegam à dimensão intrafísica vai aumentar continuamente durante a maior parte deste século. O duplo impacto - o aumento de patologias associadas a comportamentos aberrantes, por um lado, e uma maior inovação no pensamento humanista e universalista, por outro - também vai aumentar.

Mas este não é um processo passivo em que somos meros observadores dos fatos que acontecem ao nosso redor. Todos nós temos um papel a desempenhar.

Evolução dinâmica

Para aquelas pessoas sem nenhuma experiência parapsíquica, o que acabo de referir aqui pode não fazer muito sentido. Eu não quero que acreditem no que estou a dizer, mas encorajo-as a manter uma mente aberta, com discernimento. Observem o que está a acontecer no mundo e considerem se o que foi descrito aqui pode oferecer uma explicação.

As pessoas que experienciaram a presença de consciências extrafísicas sabem que muitas delas não são muito positivas. Sabem ainda que a interação entre as consciências, intra e extrafísicas, é energética. Por isto, devemos estar atentos para protegermo-nos do "vampirismo” ou "ataque" energético, mas é também através das energias que podemos ajudar consciências extrafísicas doentes. A energia consciencial é a moeda do universo multidimensional.

Nosso holopensene pessoal é como nosso cartão-de-visita evolutivo. Evidencia, para aqueles que podem interpretá-lo, o nosso patamar evolutivo e o nosso atual nível de maturidade dentro de uma perspectiva multidimensional. Quando falo de nível evolutivo, não me estou a referir a algo vago como "iluminação" ou aos mestres ou seres “elevados”.

Estamos todos numa jornada evolutiva que nos está a levar da condição de seres egocêntricos, indivíduos olhando apenas para o próprio umbigo, presos no egocarma, até uma vida que é, em última análise, dedicada à assistência evolutiva a todos os seres, em todas as dimensões, ou seja, o policarma. Esta jornada é feita através da consciencialização, cada vez maior, das pessoas e de um crescente protagonismo na assistência exercida entre o nosso grupocarma. Em cada momento da nossa vida nossos pensenes estão centrados no egocarma, grupocarma ou policarma. É nossa responsabilidade pessoal desenvolver uma dinâmica evolutiva que nos ajude a mudar o nosso foco pensênico (pensamentos, emoções, energias) de egocarma para policarma. Para induzir esta mudança, a principal ferramenta à nossa disposição é a assistência a outras consciências. Se aceitarmos que quase todas as pessoas neste planeta têm problemas (isto é, algum tipo de patologia), a dinâmica evolutiva dita que aqueles que são menos doentes devem ajudar aqueles que são mais doentes.

Há, naturalmente, muitas maneiras em que podemos ser úteis aos outros: a assistência pode ser material, como fornecer os bens essenciais à vida para aqueles que não os têm; pode ainda consistir em dar apoio e conforto emocional; ou pode estar baseada em ideias e na alteração de padrões de pensamento. O foco aqui é na assistência energética multidimensional.

Os seres humanos desempenham um papel fundamental no processo de reurbanização. Existem significativas diferenças vibracionais entre as dimensões mais evoluídas, de onde vêm os amparadores extrafísicos, os seres que auxiliam na evolução neste planeta, e as dimensões densas que estão sendo reurbanizadas. Essas diferenças significam que é muito difícil para os amparadores prestar assistência direta às consciências extrafísicas densas. Como descrito acima, as consciências saudáveis ​​já não carregam energias densas do corpo energético, como acontece com as consciências patológicas.

Os seres humanos, com o seu corpo energético denso, fornecem a ponte energética necessária, através do qual a assistência energética pode ser levada para as dimensões patológicas. Nós podemos, se assim o quisermos, transformarmo-nos em epicentros energéticos de assistência inter-dimensional. Essa assistência pode, literalmente, ocorrer a qualquer momento, por exemplo, enquanto estamos a fazer as nossas tarefas diárias. Mas aqui gostaria de me concentrar em dois atos intencionais de assistência: as projeções assistenciais e a “tarefa energética pessoal” (TENEPES).

Cada um desses temas poderia justificar um artigo ou mesmo um livro e, por isto, a minha exposição vai ser necessariamente superficial. Se quiser um maior aprofundamento destes temas sugiro a consulta aos livros Projeções da Consciência e Manual da TENEPES, ambos escritos por Waldo Vieira.

A Conscienciologia afirma que todas as pessoas deixam o corpo humano, em seu psicossoma, todas as noites durante o sono. Isso ocorre como resultado natural da nossa fisiologia, ou melhor, a nossa para-fisiologia. Na maioria dos casos, deixamos o corpo físico, através do nosso psicossoma, mas de forma bastante inconsciente. Nós dormimos ou temos comportamentos automáticos como forma de libertar os pensamentos que nos têm preocupado durante o estado de vigília: o trabalho, a limpeza da casa ou os encontros sexuais e, seja qual lembrança tivermos destas ações, estas são geralmente interpretadas como sonhos.

As experiências mais tangíveis são muitas vezes aquelas que ocorrem quando estamos adormecendo: sensações de formigamento, vibrações ou pulsações, sons estranhos em nossa cabeça, perda do sentido dos limites corporais e a sensação de expansão do corpo. Todas estas sensações resultam do fato de que, quando dormimos, nosso psicossoma começa a se mover para fora do corpo físico. À medida que fazemos deste um processo consciente e intencional, podemos começar a controlar, de forma consciente, a nossa “vida noturna”. Isso pode incluir as projeções assistenciais em que as pessoas participam de forma voluntária.

Há muitos tipos diferentes de projeção assistencial, mas, no contexto da reurbanização, o foco está no uso das energias densas do corpo energético. Consequentemente, quando deixar o corpo sob a orientação dos amparadores extrafísicos, a consciência intrafísica vai levar uma grande carga de energia densa, de seu corpo energético, com o psicossoma.


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A conscin pode ter apenas consciência limitada do que está ocorrendo e estar sob a orientação ou o controlo remoto voluntário de amparadores extrafísicos que orientam o projetor para a dimensão alvo. Lá, o projetor funciona como um canal para as energias sutis extrafísicas que aumentam em densidade por ser canalizadas através dele. A conscin pode também funcionar como “isca assistencial”, onde uma ou mais consciências extrafísicas perturbadas conectam-se ao seu campo energético, sendo removidas ou extraídas deste campo e levadas para serem alvo de tratamento e, possivelmente, posterior renascimento.

Embora possamos, ocasionalmente, sentir certas repercussões energéticas desta atividade, o fato de prestarmos este tipo de assistência garante-nos uma especial atenção e apoio dos amparadores. As projeções assistenciais permitem-nos transformar o período do sono num tempo altamente produtivo, além de nos dar a oportunidade de assumir o nosso lugar como mini-peças deste enorme mecanismo de assistência e que mantém o equilíbrio no mundo.

A tarefa energética pessoal (TENEPES) oferece uma outra via para o processo assistencial. A TENEPES é um compromisso pessoal e que consiste em estarmos cerca de uma hora por dia doando as nossas energias conscienciais a outras consciências necessitadas, tanto intra quanto extrafísicas (Vieira,1996). Assim como a meditação, a TENEPES envolve o isolamento da pessoa num espaço com pouca luz. Mas enquanto na maioria das práticas de meditação o foco é a própria mente, na TENEPES o foco está em exteriorizar energia terapêutica. Esta energia é exteriorizada num ambiente aparentemente vazio, mas onde há uma intensa atividade multidimensional, uma ideia que é transmitida nesta imagem.


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Um ou mais amparadores extrafísicos acoplam-se ao praticante da TENEPES e canalizam energia através dele, à medida que os pacientes extrafísicos são trazidos para o ambiente para várias formas de assistência energética. Os praticantes da TENEPES podem também ajudar consciências intrafísicas, que podem ser "colocadas na TENEPES" independentemente da parte do mundo em que se encontram. Esta prática assistencial confronta ainda, os seus praticantes com os seus próprios “problemas”, além de expô-los ao aumento de ataques energéticos. Mas também os leva a estabelecer uma ligação profunda com os amparadores, permitido o seu crescimento, de forma saudável, na auto-consciência multidimensional.

Tal como a projeção assistencial, a prática da TENEPES pode levar à satisfação profunda como resultado do tempo gasto em favor dos outros. Ao assumir o nosso papel no mecanismo multidimensional de assistência não estamos apenas a fazer uma contribuição para a reurbanização do planeta, mas também garantimos a completude da nossa programação existencial ou do nosso projeto de vida, antes de retornarmos à dimensão extrafísica.

Conclusão
O foco deste artigo foi questionar a lógica de ideias sobre o “fim do mundo” ou a súbita “mudança espiritual”. Ambos os conceitos são profundamente falhos devido às suas limitações materialistas sendo, este último, geralmente muito vago. Procurei apresentar um contexto através do qual possamos entender o que realmente implica, a nível planetário, a mudança espiritual. É um processo ativo, amplo e complexo, mas no qual todos nós podemos desempenhar um papel. Nós estamos, ou pelo menos podemos estar, no controle de nossas próprias ações multidimensionais. Todos os dias fazemos escolhas que determinam se o nosso foco é a assistência multidimensional e da consciência ou se são os desejos de nosso corpo físico e da nossa personalidade atual. A vida é muito idiossincrática, ninguém nos pode dizer como viver. Precisamos discernir, por nós mesmos, quanto a melhor forma de avançar na nossa evolução e de atingir o nosso objetivo nesta atual vida intrafísica, para além de 2012.

Glossário

Energossoma - O paracorpo energético da consciência humana. O energossoma faz a junção entre a soma e o psicossoma, agindo como um ponto de ligação através do qual a energia consciencial flui de um para o outro.

Programação existencial - O plano de ação para a vida atual intrafísica que um indivíduo concebe, antes do nascimento, apoiado por seu / sua evoluciólogo, para alcançar o maior resultado evolutivo possível dentro da vida.

Consciência extrafísica - Paracidadão de uma sociedade extrafísica; consciência que já não tem um soma.

Reurbanização extrafísica - A melhoria de ambientes e comunidades extrafísicas doentes e degradadas com o objetivo de curar o holopensene das áreas intrafísicas negativamente influenciadas por eles.

Amparador - consciência extrafísica que auxilia uma ou várias conscins; benfeitor extrafísico; consciência que exerce assistência multidimensional avançada de forma lúcida. Expressões equivalentes arcaicas: Anjo Guardião; anjo de luz, guia, mentor, guia espiritual.

Holopensene (holo + pen + sen + e) ​​- pensenes agregadas ou consolidadas.

Conscin - A personalidade humana; cidadão da sociedade intrafísica; uma consciência com um soma.

Mentalsoma (mental + soma) - corpo mental; paracorpo do discernimento da consciência.

Psicossoma (em grego: psique, alma, soma, corpo) - veículo de manifestação da consciência nas dimensões extrafísicas. Paracorpo emocional da consciência; o corpo extrafísico da conscin. Expressão desgastada: corpo astral.

Consciência reurbanizada - Uma consciência extrafísica compulsoriamente deslocada da comunidade extrafísica patológica onde estava há séculos, para outra comunidade extrafísica de transição, a fim de se preparar para ressomar na Terra, ou ainda sofrer a migração para outro planeta.

Pensene - (pen + sen + e) ​​- Unidade de manifestação prática da consciência, segundo a Conscienciologia, que considera o pensamento ou ideia (pen), o sentimento ou a emoção (sen), e energia consciencial (e) em conjunto, de modo indissociável.

Referências

Argüelles, José 1987. The Mayan Factor: Path Beyond Technology. Inner Traditions: Rochester.

Buhlmann, William. 1996. Adventures Beyond the Body: How to Experience Out-Of-Body Travel. Harper Collins: New York.

Crookall, Robert. 1964. The Techniques of Astral Projection: Dénouement after fifty years. The Aquarian Press: Wellingborough.

Lachman, Gary 2009. 2013: Or, what to do when the apocalypse doesn’t arrive. EnlightenNext Issue 44.

Monroe, Robert. 1978. Journeys out of the Body (updated edition). Anchor Books: New York.

Sheils, D. 1978. A cross-cultural study of beliefs in out-of-the-body experiences, waking and sleeping. Journal of the Society for Psychical Research 49 (775) pp.697-740.

Stray, Geoff. 2009. Beyond 2012: Catastrophe or Awakening? New Dawn. Number 117.

Vieira, Waldo. 1996. **PENTAManual: Personal Energetic Task. Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia: Rio de Janeiro.

Vieira, Waldo. 1997. **Projections of the consciousness (2nd English edition). Álvaro Salgado, Kevin de La Tour & Simone de La Tour (trans.). Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia: Rio de Janeiro.

Vieira, Waldo. 2002. **Projectiology: A Panorama of Experiences of the Consciousness outside the Human Body. Kevin de La Tour & Simone de La Tour (trans.). Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia: Rio de Janeiro.

Vieira, Waldo. 2003. Homo Sapiens Reurbanisatus. Associação Internacional de Altos Estudos da Consciência: Foz do Iguaçu.

** Por favor, note que os livros estão disponíveis em Português; por favor, informe-se junto ao seu centro educacional local para obter a versão em português. Obrigada **

Kim McCaul é professor e voluntário da IAC em Adelaide, Austrália e estuda Conscienciologia desde 1997. Kim é antropólogo e trabalha na área aplicada a assuntos aborígenes australianos.

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