Tuesday, December 4, 2012

VIDA INFINITA: DA EXTENSÃO DA VIDA FÍSICA À IMORTALIDADE DA CONSCIÊNCIA



escrito por Nelson Abreu

Vários cientistas de topo acreditam que a Humanidade não está longe de atingir a interminável vida biológica, considerando a morte como a derradeira doença evitável. Esta possibilidade levanta várias questões. É patente as dificuldades que temos tido no aproveitamento dos recursos da Terra para fazer face às atuais necessidades da população. O que acontecerá se a esperança de vida continuar a aumentar indefinidamente? E esse aumento, a par de outros recursos, ficará disponível somente para alguns? Quais seriam as consequências?

O que motiva as grandes questões da Humanidade? Muito do que fazemos é estabelecido contra à inevitável morte, à incerteza daquilo que se seguirá, e na luta para preencher o vazio deixado por tudo isto.  Se descobríssemos que nós sobrevivemos à morte e temos uma vida consciencial infinita, então perderíamos o medo da morte biológica. Consequentemente, as nossas motivações e prioridades alteravam-se e a nossa demanda pela imortalidade biológica tornar-se-ia cada vez menos relevante. Desta perspectiva, a pesquisa sobre a extensão da vida continua a ser uma importante aventura, mas o aumento da qualidade de vida deve ocupar lugar de destaque.

 A extensão da vida, da perspectiva da nossa contemporânea esperança média de vida, pode operar como uma espécie de moratória existencial que se pode traduzir numa “segunda chance” para terminar o projeto de vida de alguém ou um “bonus” para assumir um novo projeto que vai além das iniciais expectativas. A extensão de vida, melhoria da saúde e a pesquisa sobre recuperação pode ajudar-nos a aproveitar uma fase de maturidade consciencial mais madura ou da condição que muitas pessoas atingem, caracterizada pela habilidade em ponderar escolhas, consequências e cenários mais complexos com maior experiência, claridade de pensamento e serenidade, para maximizar a produtividade em termos de evolução espiritual.

Contudo, sob o paradigma centrado na consciência, a eterna vida biológica é praticamente irrelevante. O paradigma consciencial pode ser considerado numa perspectiva dualista. Isto é, considera a consciência como um distinto elemento extrafísico do cosmos; ainda assim, trabalha com a energia (e a matéria) para interagir com outras consciências e ambientes que elas criam.

O domínio da experiência fora do corpo e das bioenergias poderia contribuir para uma melhoria da qualidade de vida e até contribuir para a extensão da vida através de melhoria na saúde. Contudo, seria pouco provável que alguém que tenha tido várias experiências fora do corpo com lucidez buscasse a eternidade biológica, porque se apercebem que continuam para além do corpo físico. A vida eterna perde relevância, uma vez que ultrapassamos o conceito errado de que quando o corpo biológico morre nós deixamos de existir. De acordo com a Projeciologia, a ciência que estuda a manifestação humana para além do corpo físico, nós já somos imortais, para além do nosso efémero corpo físico.

Há algo que deve ser dito sobre a desconhecida, mas inevitável dessoma ou desativação do soma (corpo humano) como motivadora. Esta condição cria uma pressão ou stress saudável que nos encoraja a tirar partido das oportunidades da vida física. Uma pessoa sabe que dispõe de um determinado tempo para aproveitar a sua oportunidade para alcançar os seus objetivos e um dia a mesma cessa, com ou sem possíveis extensões. Uma interminável vida intrafísica pode levar o indivíduo, em muitos casos, a se acomodar e desperdiçar oportunidades, não garantidas, para recuperar a lucidez a qualquer momento. A infinita vida física minimiza a importância do presente quando comparado com o futuro infinito.

Considere os benefícios da morte física: dependendo das conquistas desta vida, pode programar e preparar-se, de uma perspectiva mais elevada, para a sua próxima vida física (período intermissivo ou período extrafísico entre vidas), usufruindo de uma lucidez aumentada, por se encontrar livre do corpo físico e denso. O efeito do "véu pesado" da matéria densa na sua lucidez é claramente percebido durante as projeções densas (com o psicossoma carregado de energias vitais). Projetores relatam bradicinesia (movimento difícil e lento de forma pouco característica, como se estivesse a tentar mover através de melaço), percepção visual inibida e dificuldade em manter um elevado nível de lucidez junto do soma.      

Nós podemos experimentar diferentes tipos de genética e condições mesológicas diversas no decurso das vidas sucessivas. Por exemplo, nós podemos experimentar a vida em diferentes corpos e civilizações extraterrestres de acordo com relatos de viagens não físicas e algumas retrocognições ou memórias de vidas passadas. Em alternativa, nós podemos ver o mundo da perspectiva menos feminista e menos chauvinista e compreender que cada lado tem os seus pontos fortes e limitações: um não é necessariamente superior ao outro e podemos aprender a partir destas duas condições. Podemos compreender os dois lados não somente de forma teórica, mas sim com a experiência - nada substitui a experiência pessoal e direta.

As relações entre consciências podem terminar de forma pouco amigável ao ponto das duas partes acharem que, após vários anos de relações problemáticas, a situação é irreconciliável. Uma nova vida com limitada rememoração de vidas passadas permite, desta vez, o desenvolvimento de experiências positivas, talvez através do desempenho de papéis familiares intimamente associados. Nesta sequência, estas experiências mais positivas podem ser avaliadas conjuntamente, mitigando os efeitos negativos da disputa original.

Existe também uma certa lógica na alternância entre vidas biológicas e o período não físico entre as mesmas. Na dimensão física, as pessoas de diferentes maturidades espirituais e diversos graus de lucidez (ou níveis de iluminação), grupos sociais e culturas misturam-se de uma forma que não acontece tão facilmente em dimensões mais rarefeitas. Nós perdemos muito da nossa acuidade extrafísica e memória para que possamos tirar partido destas interações, que proporcionam experiências ricas que aceleram a nossa evolução pessoal e coletiva ou desenvolvimento integral.

Por outro lado, é eventualmente mais produtivo regressar à dimensão extrafísica e preparar para um novo começo num novo corpo. A voluntária e não patológica dessoma, executada após completar a proéxis é descrita segundo tradições antigas (e mais recentemente nos 700 Experimentos do Dr. Vieira) como uma ação apropriada pelos indivíduos mais iluminados e evoluídos espiritualmente. Durante algum tempo, podemos "desfrutar de um período de existência sem o corpo físico - o nosso animal de estimação favorito - que não consegue sobreviver sem dormir, respirar, comer e beber".

Livre das necessidades e instintos sexuais e de sobrevivência, a consciência pode experimentar formas de manifestação, de aprendizagem, de viagem ou locomoção, de pensamento, comunicação e cognição mais avançadas que não são inerentes aos mais grosseiros sentidos do corpo físico. Relatos destas experiências estão descritos no Projeções da consciência - o diário das experiências fora do corpo, escrito pelo Dr. Waldo Vieira ou noutros clássicos escritos por Roberto Monroe ou Muldoon e Carrington. O assunto temático da revista Journal of Conscientiology, nº 26, explora o período e o curso intermissivo (o período entre vidas e a preparação para a próxima existência física).

Muitas pessoas que passam pela experiência de quase morte sentem relutância em voltar para a temporária vida física (sem mencionar a eterna vida biológica), uma vez que sentem uma agradável liberdade e serenidade, longe da responsabilidade e densidade física. Esta reação demonstra falta de maturidade, pois nenhuma das condições é melhor que a outra; nós devemos tirar o máximo partido das duas.

Tendo em consideração o número de pessoas infelizes, a descoberta do propósito da vida torna-se uma prioridade. Contudo, o que podemos nós fazer que não tenha sido já feito nesta busca milenar? Muitas das nossas tentativas, a maior parte da nossa busca contemporânea, tem estado limitada à perspectiva fisicalista. A experiência fora do corpo e outros fenómenos paranormais podem revelar variáveis extrafísicas ou uma perspectiva  multidimensional e multiexistêncial (muitas vidas). O aumento da lucidez e a contínua melhoria pessoal e coletiva - o desenvolvimento do inteiro espectro de inteligências e potencial humano - e a consequente redução do sofrimento proveniente de escolhas e comportamentos imaturos emerge como o principal objetivo de vida.

Por último, de acordo com a teoria conscienciológica, a nossa maturidade integral permitir-nos-à deixar o ciclo de sucessivas existências físicas e extrafísicas (serialidade existencial ou renascimento), libertando-nos permanentemente das limitações do físico e dos corpos emocionais extrafísicos - o verdadeiro oposto da vida biológica eterna.

NelsonAbreu, B.S. Engenheiro Elétrico, é voluntário da International Academy of Consciousness – Centro Educacional da Califórnia

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