Sunday, February 21, 2016


PROMOVENDO UM PARADIGMA MULTIDIMENSIONAL PARA O ESTUDO DA CONSCIÊNCIA

International Academy of Consciousness tem o prazer de anunciar o 2º Congresso Internacional da Consciência, a realizar-se em Miami, FL, de 19 a 21 de maio de 2017.
O evento criará um fórum global para discussões abertas e debates de pesquisas centradas no estudo da consciência.
Data limite para entrega de artigos: 30 de abril de 2016.
Pela contribuição ao desenvolvimento da ciência da consciência, agradecemos antecipadamente sua participação no 2º CIC. Será um prazer recebê-lo!

Acesse á página oficial aqui.

Thursday, February 4, 2016

IAC na primeira pessoa, com Rosa Maria, voluntária da IAC, dá-nos a sua visão do voluntariado e da sua importãncia na evolução da sua intraconsciencialidade 


SER VOLUNTÁRIO – UM DESAFIO

 (Vontade; Voluntariar-se; Voluntário; Voluntarioso; Voluntariado)

Para exercer o voluntariado, é necessário desenvolver a faculdade de querer, ou seja, ter vontade. A vontade é uma expressão de espontaneidade, de desejo, de disposição de espírito, de capricho, de brio, de persuasão íntima e também de necessidade física e moral.

Voluntariar-se é, gramaticalmente, um verbo pronominal, o que expressa sempre o sujeito que se propõe executar a sua vontade, ou seja a responsabilidade de levar a bom termo a tarefa que assumiu, contribuindo sempre para o seu melhor desempenho.

Voluntário é um substantivo e, ao pertencer a esse grupo gramatical, é porque tem substância; que subsiste por si; corpo; matéria; essência; é todo aquele que sente o apelo de uma vontade, oferecendo-se para ajudar, de modo assistencial, o desenvolvimento do meio em que opera.

Voluntarioso é um adjectivo que qualifica a vontade de exercer. Este adjectivo é neutro, mas pode ser também nosográfico caso a intencionalidade do agente não seja ortopensénica. O ser voluntarioso tanto pode ser um trafor (traço força) como um trafar (traço fardo). Como trafar exige que seja superado. Como trafor será útil no exercício de um voluntariado mais oportuno, mais eficiente.

A experiência diz-me que o voluntariado não é apenas, e cada vez menos será, o estar no local à hora marcada para desempenhar um trabalho rotineiro, como se apenas fosse, para o voluntário, uma ocupação do seu tempo disponível. Antes pelo contrário, ser voluntário é assumir a responsabilidade de zelar pelo desenvolvimento e pela coesão do grupo a que se está ligado. É preciso ser assistencial e a melhor maneira para que o efeito seja mais eficaz, tanto para o voluntário como para o assistido, é o empenho no desenvolvimento evolutivo. Ambas as partes saem a ganhar.

Quando comecei o meu voluntariado na IAC – International Academy of Consciousness, em 2009, não tinha qualquer sentimento sobre o que era o prazer de fazer sem receber dinheiro. Apesar de me achar muito desapegada do dinheiro, eu defendia ainda que o «meu trabalho tinha que ser pago», ou seja, eu estava ali apenas pela necessidade de empregar o meu tempo. O desapego ao dinheiro evidenciava uma incapacidade de lidar com uma situação para a qual, à data, não encontrava explicação, mas que hoje reporto à multiexistencialidade.

Com o tempo, e perante acontecimentos centrados em mim, verifiquei que o prazer de executar, de pensar e as tentativas de inovar começaram a criar um vínculo de responsabilidade, posso dizer, muito mais profundo do que aquele que eu tinha tido quando me encontrava na vida activa. Esse vínculo foi-se acentuando, permitindo-me ter momentos de grande satisfação com pequenas tarefas. Comecei a perceber também, com o decorrer do tempo, quanto o voluntariado tinha contribuído para melhorar a minha auto-estima, reduzir a minha insegurança e evoluir na minha intraconsciencialidade. Percebi, então, quanto o voluntariado me tinha «remunerado» mensalmente.
Passei por situações vexaminosas, onde a vergonha de mim mesma me deixou quase no fundo do poço não só pelo tempo perdido, mas muito por ter procrastinado o não querer ver os meus trafares (traços fardos) e trafales(traços faltantes) impeditivos de uma evolução consciencial. Ainda naquele patamar, de exercer um voluntariado de preencher tempos sem objectivos de crescimento, eu não sentia a necessidade de reciclagem de cursos nem a curiosidade de frequentar novos, pois não percebia como empregar a aquisição de conhecimento.

O Voluntário tem a responsabilidade de desenvolver o detalhismo e a atenção, para que no âmbito da interação diária seja um veículo subtil de evolução tanto na sua postura como na partilha do conhecimento, tendo sempre em perspectiva a redução de tempo nas rotinas instauradas para maior rentabilidade do poder criativo em toda a sua expressão, mas sobretudo na sua auto-pesquisa e desenvolvimento consciencial.

Por vezes, pode acontecer que o voluntário sobrestime o tempo doado à causa, criando uma intenção de que deverá ser reconhecido com gratuitidades a que se acha com plenos direitos. No meu ponto de vista, essa postura anula, quase por completo, a acção assistencial a que nos propomos logo de início, mesmo antes de estarmos dentro do conteúdo conscienciológico.

Quando o voluntariado é efectuado com continuidade, assumindo o compromisso, o voluntário é gratificado e, hoje, na minha opinião e ignorando que assim fosse, muito mais do que se tivesse uma remuneração pecuniária mensal. O contato diário com o meio em que exerce a sua tarefa favorece todo um desenvolvimento mentalsomático que passa, também, por um melhor conhecimento dos trafares, sempre impeditivos de uma realização pessoal plena, utilizando os trafores para a autosuperação.

Privilegiar o voluntário pela sua situação pode provocar um desvio na sua intencionalidade e conduzi-lo ao consequente aumento do débito na sua conta holocármica. Quando o voluntário dá o seu tempo e o seu trabalho de forma organizada e com responsabilidade, ele está a receber (sem saber quantificar) conhecimento proporcional ao seu investimento e isso ninguém pode tirar, nem ninguém pode cobrar, porque é uma compensação consciencial.

O Voluntariado tem sempre muita adesão nos rescaldos bélicos, catástrofes e, também no dia-a-dia, em âmbitos circunscritos e de apoio imediato à satisfação dos recursos básicos. É um recurso psicossomático. Hoje, tal situação continuará a manter-se enquanto não se conseguirem eliminar as suas causas. No entanto, para que o mal não perdure, é tempo de exercer também um voluntariado intelectual, ou seja, a partilha de conhecimentos, o desenvolvimento da polivalência, o gosto de saber, de se conhecer e de inovar, contribuindo assim para uma maior consciencialização individual e em conjunto. É também um meio de exercer uma maior assistência e de contribuir para uma melhor pensenidade em prol do universalismo. É um recurso mentalsomático.